quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sérgio essa é pra vc!

PAIS CUIDADORES SEM A PRESENÇA DA MÃE NA VIDA DIÁRIA:

Os homens são identificados com o trabalho remunerado fora de casa constituindo um desafio seu envolvimento com o cuidado em geral. Comportam-se de forma a serem cuidados pelas suas companheiras, numa continuidade do cuidado que receberam de suas mães, tendo pouco envolvimento com a atenção aos seus filhos. Em consequência, são grandes as suas vulnerabilidades a doenças, acidentes e violência e também os prejuízos nas suas relações com as crianças, com as mulheres e com outros homens. O distanciamento dos homens com o cuidado expressa a divisão sexista do trabalho e a dominação masculina, em que cabe às mulheres o trabalho de cuidado que recebe menor valor social comparado ao trabalho produtivo. Há pouco estímulo das instituições sociais à participação dos pais no cuidado com os filhos e são altos os índices de abandono paterno. A prática dos homens com o cuidado pode portanto, contribuir no sentido do bem-estar de si mesmos, das famílias e da sociedade em geral. Pressionados pelas transformações nas famílias e no mercado de trabalho, os homens vêm experimentando uma transição entre dois modelos de paternidade: a paternidade participativa e a tradicional distância herdada do patriarcado.O intenso vínculo já existente com os filhos e a ausência das mães facilitaram a emergência e aprendizagem das habilidades de cuidado entre os homens, mesmo entre os pais que viveram histórias difíceis com relação ao cuidado recebido na infância.Eles entenderam que sua prática de cuidado seria fruto da espontaneidade pessoal, aprendidos na relação com seus genitores, irmãs, amigos ou fruto do cuidado que recebem de Deus.Mostraram intenso vínculo com os filhos e desempenharam funções de acolhimento amoroso, disciplina, cuidado material com higiene, vestir, alimentação, instrução, saúde e educação de valores. O cuidado paterno mostrou beneficiar os pais, aumentando a sua auto-estima, fruto do amor recíproco com os filhos, do prazer em cuidar dos filhos e da alegria com o desenvolvimento das habilidades ditas "femininas".Mostraram também viver as dificuldades e desgaste da dupla-jornada, a falta de tempo para si mesmo e o preconceito para exercerem o cuidado paterno, nas relações com a comunidade, o trabalho, os amigos, a justiça, o conselho tutelar, e o serviço de psicologia do judiciário. Os pais relataram profundas dores emocionais com a morte das mães, e decepção com as ex-companheiras que falharam no cuidado de seus filhos. Vivem ainda dificuldades para o estabelecimento de novas relações amorosas em decorrência de cuidarem sozinhos das crianças. A maioria das mães não manteve contato com os filhos após o convívio diário deles com seus pais, não tendo por hábito nem as visitas quinzenas, explicitando o descolamento delas de sua função cuidadora. Esses pais mostraram viver as mesmas questões da sobrecarga das mulheres que criam sozinhas seus filhos.Depois deste fato reconheceram terem revalorizado o trabalho doméstico a partir da experiência de cuidarem sozinhos, o que sugere que sua vivência pode beneficiar relações de equidade com as mulheres. No entanto, a equidade de gênero depende de transformações sociais mais profundas, tais como: desapego dos homens de seus privilégios e estabelecimento de políticas econômicas e trabalhistas que valorizem o trabalho de cuidado com as crianças e com a vida. Pais com representações e atuações tradicionais de gênero, maternidade e paternidade, e de diferentes vivências na sua formação pessoal, podem se disponibilizar para o cuidado, motivados por amor e responsabilidade por seus filhos em situações de crise e de risco para os filhos, quando as mulheres não cumprem de forma satisfatória seu papel de cuidadora. Desempenham com prazer o trabalho de cuidado e mostram se beneficiar dessa experiência, aumentando o amor por si mesmos. Os resultados refutam o argumento sobre as diferenças de gênero no raciocínio moral de cuidado, já que este emergiu como uma potencialidade manifesta e desenvolvida de acordo com as circunstâncias. As condições econômicas e de apoio familiar dos pais determinaram suas soluções do dilema entre cuidado e mercado de trabalho. As atuais dificuldades para inserção dos homens no cuidado estão relacionadas portanto, à perpetuação da dominação dos homens sobre as mulheres no trabalho doméstico e à desvalorização do trabalho de cuidado no capitalismo. O desempenho dos pais no acolhimento amoroso e na organização dos limites na educação dos filhos, sugere a reflexão sobre conceitos psicológicos que limitam os pais às funções disciplinadoras na construção da psique infantil. Estes conceitos pautados na paternidade tradicional perpetuam a divisão sexual do trabalho e a representação de gênero de homens distantes dos filhos. Mostram uma cisão entre amor e respeito, em que o último se construiria a partir da distância afetiva dos pais. Para a inserção dos homens no cuidado, a psicologia e as instituições sociais necessitam portanto, rever conceitos tradicionais de gênero presentes nas teorias sobre maternidade e paternidade, de forma a contribuir para práticas institucionais que legitimem o cuidado paterno no desempenho tanto de funções de acolhimento quanto de organização dos limites na formação da personalidade da criança. Desta maneira, a psicologia estará contribuindo com seu saber, para a cooperação entre homens e mulheres no cuidado com os filhos, um grande desafio presente na vida de homens e mulheres que precisam trabalhar foram e tentam conciliar seus projetos no mercado de trabalho com a dedicação à família. O estudo aponta a necessidade de construção de políticas públicas, currículos universitários e capacitação dos profissionais que valorizem o cuidado paterno para o trabalho com os pais e as famílias. Há necessidade de divulgação da experiência de pais cuidadores e a discussão social da inserção do cuidado no mundo masculino. É de fundamental importância a construção de políticas trabalhistas e econômicas que sejam promotoras do cuidado com a vida das crianças e dos trabalhadores, para o respeito à qualidade de vida humana desta e de futuras gerações.
Parabéns Sérgio!Te admiro muito como homem e pai responsável, amoroso que és!
Você assumiu seus filhos e cuida deles muito bem!Sucesso e felicidade sempre para vcs!

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